Bem-vind_ à edição de Abril da nossa newsletter!
Mensalmente nos encontramos aqui para trazer as pautas que têm atravessado nossa jornada criativa e que estão reverberando no mundo. Nesta edição, você vai saber mais sobre gênero e cargos de liderança, as tão comentadas “comunidades”, os gostos da cidade de São Paulo, a centralidade do esporte e o que atrai o consumo GenZ.
Além disso, na sessão Tátil no Mundo, temos o case de Diet Coke x Diabo Veste Prada 2, a coluna de Ju Barreto pegando carona com o case e o novo áudio-artigo de Fred Gelli refletindo sobre o nosso desejo de acessar outras inteligências, como a das baleias e fungos.
A ideia é seguir o nosso princípio básico de fazer COM e não PARA. Sinta-se à vontade para trazer sugestões, comentar nossos conteúdos e interagir com a gente respondendo este e-mail.
Boa leitura!
Equipe de Comunicação, Marketing e Marca — Tátil

A pesquisa imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras, do Estúdio Clarice, traz um dado que diz mais sobre o país do que sobre estatística. Em 2.036 entrevistas, 96% dos respondentes sabem definir o que significa estar no poder, mas 40% não conseguem nomear uma única mulher brasileira em posição de comando. O recorte revela o vão entre o que existe e o que se reconhece como existente. Mulheres ocupam espaços de decisão, mas o repertório coletivo ainda não as registrou nesses lugares, e essa ausência de imagem mental molda escolhas de quem cresce, de quem contrata, de quem decide. Marcas que constroem narrativa pública carregam parte da responsabilidade pelo que entra ou não nesse imaginário.

O episódio do podcast Vibes em Análise abre com uma provocação do historiador Eric Hobsbawm: a palavra "comunidade" nunca foi tão usada quanto nas décadas em que comunidades reais ficaram raras de encontrar. Em conversa com a pesquisadora Paula Sibilia, da UFF, André Alves e Lucas Liedke percorrem os agrupamentos que tentam preencher esse vazio nos dias de hoje, dos grupos de corrida e clubes de livro aos cultos e ao WhatsApp da escola, e tensionam o paradoxo apontado por Richard Sennett, o da tirania da intimidade. Resgatar ou cultivar pertencimento virou questão de sobrevivência num cenário em que o equilíbrio entre eu e nós ficou desregulado. Quando "comunidade" vira palavra de uso fácil em discurso de marca, vale escutar essa conversa para checar se o que se chama de comunidade ainda corresponde ao que a palavra um dia significou.

A pesquisa Para Além da Distinção, coordenada pelo sociólogo Renato Ortiz na Unicamp, retomou Bourdieu para entender como as classes em São Paulo se diferenciam pelo que consomem culturalmente. Em 2.004 entrevistas, surge um achado interessante: cerca de 10% dos adultos compartilham gostos altamente exclusivos, com adesão à "cultura altamente legitimada" e também ao rap e funk, ao mesmo tempo em que rejeitam a cultura popular comercial. Em outro extremo, pessoas igualmente pobres, com escolaridade e território semelhantes, podem ter posições culturais, simbólicas e morais opostas, atravessadas por idade, religião e raça. O estudo recoloca uma pergunta antiga em chave nova: ler classe só pela renda perde justamente o que torna cada grupo singular.

O estudo O Novo Significado do Esporte no Brasil, produzido pela Decathlon em parceria com Michel Alcoforado e a Consumoteca, ouviu 2.017 brasileiros e cruzou dados com mais de 10 milhões de menções nas redes sociais. Os números recolocam o que parecia óbvio. 93% querem se exercitar e 76% já foram ativos em algum momento, mas só 44% mantêm rotina; 70% pretendem voltar ainda este ano. O dado que escapa do roteiro tradicional é outro: 70% dos entrevistados recusariam um aumento salarial para preservar a rotina de exercícios, e 82% preferem conhecer pessoas no esporte do que em aplicativos. O esporte aparece menos como hábito de bem-estar e mais como território de pertencimento, identidade e relação. Para 72%, é parte de quem são.

O recorte 2026 do estudo Tracking das Favelas, da consultoria NÓS, ouviu jovens de 18 a 34 anos em territórios que somam um mercado de R$ 167 bilhões e desenha uma reorganização do que significa relação com marca. Preço, conveniência e autonomia passam a ocupar o centro da decisão, à frente da fidelidade. Em alimentos, higiene e limpeza, a liderança entre marcas tradicionais oscila mês a mês. No sistema financeiro, bancos digitais lideram o uso cotidiano, com escolha guiada por simplicidade e ausência de tarifas, não por inovação. "GenZ não compra storytelling; compra coerência real", diz a pesquisa. Para esse público, marca com propósito segue valorizada quando o propósito aparece na entrega concreta, no preço, na experiência.

Quando dois ícones se encontram, você não soma: você destila. Para Diet Coke x O Diabo Veste Prada 2, mergulhamos fundo no universo do filme e da moda, buscando a expressão mais simples e ousada que pudesse conectar as duas marcas. Aproveitando uma paleta compartilhada e instantaneamente reconhecível — vermelho no branco, cortado de preto — escolhemos reduzir a ideia à sua expressão mais icônica: o escarpin vermelho. Afiado. Inconfundível. Um símbolo que carrega o filme inteiro num único gesto, agora vestindo uma lata de Diet Coke. Uma voz igualmente afiada o acompanha. Feita para as Andreas e Emilys, mas inspirada em Miranda Priestly, a linguagem é precisa, irônica e direta sem pedir desculpas. Big Boss Out. Diet Coke On.

"To stay consistent, you need to know very clearly who you are." Juliana Barreto, Tátil's Revenue Director, draws on our recent Diet Coke x The Devil Wears Prada 2 project to reflect on what allows a brand to remain relevant twenty years on, without losing what made it iconic in the first place. For her, iconicity is not an inheritance, but a continuous choice.

É 2038. O novo áudio-artigo de Fred Gelli para a Fast Company Brasil abre com uma provocação: a AGI (Artificial General Intelligence) já é realidade há alguns anos. E o que ela revelou não foi uma nova inteligência, mas a que já existe por aqui há bilhões de anos. Baleias, fungos e cachorros se tornam espelho de uma pergunta que vai além da biologia: o que muda quando paramos de observar a natureza e começamos a aprender com ela?