Bem-vind_ à edição de Setembro da nossa newsletter!
Mensalmente nos encontramos aqui para trazer as pautas que têm atravessado nossa jornada criativa e que estão reverberando no mundo. Nesta edição, você vai ler sobre um engano comum sobre os Gen Z, o varejo ao vivo, o design que volta a projetar depois de 25 anos adaptando, as memórias fabricadas por IA e o carrinho redesenhado pelo GLP-1.
Além disso, na sessão Tátil no Mundo, temos o artigo de Pedro Medicis, mais uma conquista pra Carrefour Home, o D&AD Shift 2026 e o artigo de Ricardo Bezerra.
A ideia é seguir o nosso princípio básico de fazer COM e não PARA. Sinta-se à vontade para trazer sugestões, comentar nossos conteúdos e interagir com a gente respondendo este e-mail.
Boa leitura!
Equipe de Marca Tátil

A Beats e a Toluna aplicaram o mesmo questionário a mil brasileiros, metade da geração Z, para comparar o que os mais velhos pensam dos jovens com o que os jovens dizem de si. 83% das outras gerações acham que a geração Z prefere registrar o momento a vivê-lo, contra 19% dos próprios jovens, e a escolha de experiências pela visibilidade nas redes cai de 84% para 29%. O jovem que vive para a tela é, em boa parte, uma imagem construída por quem olha de fora.

Um dado da WGSN apresentado no Latam Retail Show corre na contramão da tela. 57% dos consumidores globais querem ver e tocar o produto antes de comprar, e entre a geração Z e os millennials o número chega a 86%. Mesmo com o e-commerce respondendo por 75% do crescimento do varejo até 2030, o espaço físico vira o lugar onde o produto é experimentado com o corpo antes de ser escolhido.

Levi Girardi, na Design Culture, lê 25 anos de design industrial brasileiro pelo briefing dominante, o de tropicalizar projetos globais tirando função, acabamento e material até caberem no preço local. Nesse período o design virou etapa final, a indústria de transformação caiu de 13,6% do PIB em 2013 para 10,8% em 2024, e agora tarifas e protecionismo tornam viável voltar a projetar para o Brasil. É o design sendo chamado de volta ao começo do processo, depois de uma geração formada para trabalhar no fim dele.

A floatvibes parte de um ensaio de aniversário gerado com IA para uma festa inventada e chega ao estudo do MIT Media Lab com a psicóloga Elizabeth Loftus. Imagens editadas por IA geraram 1,67 vez mais falsas memórias que o grupo de controle, e vídeos feitos a partir delas chegaram a 2,05 vezes. O registro, que servia de prova, vira matéria-prima da lembrança, e a memória afetiva, da família à marca, passa a incorporar cenas que ninguém viveu.

A atualização do estudo da Scanntech acompanhou um efeito que começa no corpo e chega à gôndola. O uso de GLP-1 cresceu 244% no primeiro semestre e já alcança 6% dos adultos brasileiros, o bastante para a projeção apontar perda em cerveja, snacks e chocolate e ganho em frescos, proteicos e água. Uma mudança fisiológica virou variável de mercado, e o apetite entra no planejamento de categoria ao lado de preço, ocasião e canal.

E se alta performance tiver menos a ver com encontrar pessoas extraordinárias e mais com criar as condições para que as pessoas façam um trabalho extraordinário? Essa foi uma das reflexões que Pedro Medicis (Presidente da Tátil) trouxe de Tóquio, depois de participar do Precision Leadership, programa do Vanto Group. Quando falamos de liderança, talvez algumas das coisas que mais importam sejam também as mais essenciais: clareza, confiança, autonomia e a qualidade das conversas que construímos todos os dias. O que isso muda para quem está à frente das organizações hoje? Pedro compartilha alguns dos aprendizados e reflexões dessa vivência em seu novo artigo para a Propmark.

O nosso case de Carrefour Home levou bronze no Grand Prix Stratégies du Design, em Paris, o segundo bronze do projeto depois do Pentawards 2025. A marca própria do grupo francês para o universo da casa passou por um rebranding que conduzimos, com uma ambição clara por trás: transformar a seção de casa num destino de compra de verdade, com apelo emocional, linguagem clara e conexão com os jeitos de morar de hoje.

O D&AD Shift faz parte da nossa história desde a primeira edição de São Paulo, em 2023, quando recebemos a turma aqui em casa. Este ano a parceria seguiu viva do começo ao fim: o Cristiano Gonçalo mentorou um dos shifters ao longo do programa e o Ricardo Bezerra se juntou aos mentores do Portfolio Review, a noite em que a edição 2026 apresentou seus portfólios ao mercado.

O mundo já não tem um único centro de gravidade criativo. Por que as agências globais teriam? À medida que a influência cultural e econômica se desloca entre geografias, também mudam as escolhas sobre pontos de vista, talento, liderança e de onde vêm as ideias. No novo artigo para o The Drum, Ricardo Bezerra (Líder Criativo Global da Tátil) reflete sobre como pode ser um modelo criativo com novos centros de gravidade.