Communication, Marketing, and Brand Team
Bem-vind_ à edição de Março da nossa newsletter!
Mensalmente nos encontramos aqui para trazer as pautas que têm atravessado nossa jornada criativa e que estão reverberando no mundo. Nesta edição, você vai saber mais sobre a morte do relatórios de tendências, a importância da fricção em nossas vidas, o isolamento com tanta tecnologia, a falta de identificação feminina com as publicidades e o anúncio de mais atores gerados por IA.
Além disso, na sessão Tátil no Mundo, temos o case de Natura Homem Cuidados Pessoais, mais detalhes sobre o case de Trillia, contando sobre a nossa entrega de ponta a ponta e a plataforma de programação criativa, e também temos o novo áudio-artigo de Fred Gelli para a Fast Company Brasil sobre o valor da diferença.
A ideia é seguir o nosso princípio básico de fazer COM e não PARA. Sinta-se à vontade para trazer sugestões, comentar nossos conteúdos e interagir com a gente respondendo este e-mail.
Boa leitura!
Equipe de Comunicação, Marketing e Marca — Tátil

No SXSW deste ano, a futurista Amy Webb entrou no palco de capa preta, coroas de flores e uma playlist de despedida para decretar o fim do seu próprio relatório anual de tendências, publicado há 19 anos. O argumento: um PDF estático, por mais robusto que seja, já nasce obsoleto num mundo que muda mais rápido do que qualquer ciclo editorial consegue acompanhar. No lugar, ela propõe trabalhar com convergências: cruzamentos entre forças, incertezas e movimentos sistêmicos que formam padrões mais robustos do que qualquer tendência isolada. E nós assistimos a Amy ao vivo! Pedro Medicis (presidente da Tátil) estava em Austin e recomenda especialmente essa apresentação, tanto pelo argumento quanto pela encenação, que vale por si só.

Há vinte anos, o Vale do Silício transformou a eliminação do atrito em religião. Um clique, zero espera, zero esforço. Este artigo da B9 levanta uma questão incômoda a partir de uma fala da antropóloga Jésabel DC no SXSW: e se parte da fricção for exatamente o que nos mantém humanos? Estudar exige esforço. Criar pede dedicação. Relações demandam presença. Quando delegamos escolhas a algoritmos, não apenas terceirizamos tarefas, potencialmente atrofiamos a capacidade de desejar (um tema que Fred Gelli, CEO da Tátil, já alertou também!).

Ainda sobre o SXSW, a pesquisadora Jennifer Wallace apresentou um conceito que deveria estar no centro de qualquer estratégia de marca: mattering — a sensação de que importamos, que depende de ser visto e de sentir valor real na nossa contribuição. Ana Paula Rodrigues (CMO da Suhai Seguradora), trouxe esse conceito para o marketing em uma coluna no Meio & Mensagem: quanto mais a IA automatiza interações, mais valiosa se torna a capacidade de construir relações autênticas. Eficiência pode ser delegada a algoritmos. Relevância emocional, não. Para marcas, o desafio agora não é adotar mais tecnologia, mas garantir que, mesmo em ambientes cada vez mais automatizados, o consumidor continue se sentindo reconhecido.

Março acende holofotes sobre as mulheres, mas o Brand Inclusion Index da Kantar lembra que a conversa não cabe em um mês. 46% das brasileiras afirmam não se reconhecer nas peças publicitárias e, quando aparecem, 75% das vezes são retratadas como jovens, em papéis sem aspiração real. O estudo ainda cruza isso com resultado financeiro: publicidade inclusiva aumenta vendas 3,5% no curto prazo e 16,3% no longo prazo, segundo análise da Unstereotype Alliance com dados da própria Kantar. A questão que fica é menos sobre intenção e mais sobre composição — quem está, de fato, na sala quando essas decisões são tomadas.

O estúdio britânico Particle6 anunciou que vai lançar novos atores sintéticos ainda em 2026, expandindo o universo iniciado com Tilly Norwood, considerada a primeira atriz inteiramente gerada por IA, projetada para atuar em cinema, séries, publicidade e redes sociais. O timing é revelador: o anúncio chega no mesmo momento em que a Academia de Hollywood institui novas regras para o Oscar 2026 regulando o uso de IA generativa em filmes, e em que Matthew McConaughey, num debate com Timothée Chalamet, alerta que performances artificiais vão "se infiltrar" nas categorias de atuação. O que está em disputa não é tecnologia, é a pergunta sobre o que torna uma performance humana insubstituível, e quem, afinal, recebe o crédito quando a estrela foi programada.

Evoluir a linguagem visual de uma marca exige equilíbrio entre história e inovação. Para Natura Homem Cuidados Pessoais, elevamos o posicionamento e a narrativa sob o conceito “(Se) Cuidar é Potente”. Criamos um ecossistema de assets que traduz a alta performance e a tecnologia exclusiva DermoTech®, pensado para o ritmo do homem contemporâneo que busca o máximo resultado no menor tempo. A partir disso, nasce uma linguagem visual precisa, geométrica e hipersensorial, que integra o autocuidado à rotina de forma dinâmica e eficiente.

Construir um novo negócio é apenas metade do trabalho. A outra metade é garantir que ele chegue ao mundo com a mesma clareza com que foi concebido. Com a Trillia, conduzimos o go-to-market com o mesmo time que estruturou a estratégia, o naming e a linguagem visual, o que significa que o conceito não se perdeu na transição entre criar e comunicar. Desenvolvemos o conceito da campanha de lançamento, o vídeo que o materializou e as peças que orientaram o desdobramento das agências, além da ambientação completa dos espaços para o dia da virada.
Mas o projeto foi além do lançamento. Para garantir coesão e escala no dia a dia, desenvolvemos uma plataforma de programação criativa que transforma as regras do negócio em um sistema programável: grids sobrepostos, camadas intercaladas de cores e o símbolo de Trillia como módulo generativo (estrelas que se encaixam, se combinam e produzem composições dentro dos parâmetros definidos). As animações surgem de forma orgânica a partir dessas composições, como se os próprios dados estivessem em movimento. Em vez de recriar grafismos a cada nova peça, o sistema gera suas próprias combinações, garantindo que o negócio opere com a mesma inteligência visual com que foi criado.

“O brilho do novo aparece quando diferentes encontram espaço para cooperar”. No novo áudio-artigo de Fred Gelli (CEO) para a Fast Company Brasil, uma cena comum revela uma das tensões mais profundas do nosso tempo: o que acontece quando a divergência deixa de gerar troca e passa apenas a ampliar distâncias.