O mundo passou o verão de verde e amarelo. Passarela, vitrine, feed: o brazilcore virou assunto, e todo mundo quer saber como "vestir o Brasil". A gente olha pra essa cena com curiosidade e cuidado, porque reduzir origem a estampa é perder justamente o que ela tem de mais valioso.
Essa é a provocação que Ricardo Bezerra (Global Chief Creative Officer) leva pra Design Week. Pra ele, o brazilcore é sintoma de um cansaço maior: marcas que poderiam pertencer a qualquer lugar e, por isso, a lugar nenhum. A resposta não é mais cor, é mais origem. Ricardo passou um ano criando em Manhattan e voltou com essa constatação na mala: "a proximidade com tudo pode significar conexão com nada que seja inteiramente seu".
No artigo, ele recupera a antropofagia de Oswald de Andrade, o instinto brasileiro de digerir o que vem de fora e devolver algo que só existe aqui, e lembra que foi assim com as marcas do Rio 2016 e do Rio Carnaval, que nunca precisaram deixar de ser daqui pra ganhar o mundo. Origem não é bandeira nem paleta. É história, memória, um jeito de ver.