Liderança é provavelmente um dos assuntos mais publicados do mundo dos negócios. E talvez isso diga menos sobre o quanto já sabemos e mais sobre o quanto ainda precisamos conversar sobre o tema. Foi com essa disposição — compartilhar aprendizados, mas também abrir escuta para outros — que Pedro Medicis (presidente da Tátil) participou do Precision Leadership, programa da Vanto Group em Tóquio, ao lado de CEOs de dez empresas japonesas e Ryan Bernacchi, ex-comandante dos Blue Angels e ex-instrutor da TOPGUN.
“O objetivo nunca foi encontrar talentos extraordinários, mas desenvolver pessoas comuns capazes de entregar resultados extraordinários.” A alta performance deixa, então, de ser uma qualidade excepcional de alguns para se tornar algo que a organização ajuda a construir. Está na precisão da linguagem, nos rituais que transformam erro em aprendizado, na clareza dos papéis e em uma liderança que sabe oferecer contexto, abrir espaço e escutar antes de decidir.
Talvez seja justamente aí que a conversa sobre liderança fique mais interessante. Nas dez empresas japonesas visitadas, felicidade aparece escrita no propósito sem ser tratada como o oposto de desempenho. Nos Blue Angels, excelência convive com um debrief em que todos podem reconhecer o que funcionou e o que precisa mudar. Contextos muito diferentes que apontam para uma pergunta parecida: e se alta performance tiver menos a ver com encontrar pessoas extraordinárias e mais com criar as condições para que as pessoas façam um trabalho extraordinário?